Principais conclusões
- Os golfinhos-nariz-de-garrafa e os golfinhos-comuns vivem nestas águas todo o ano, em vez de apenas passarem, e é por isso que são vistos na maioria dos passeios.
- A Madeira é um pico vulcânico, por isso os fundos marinhos descem para além de um quilómetro a curta distância do cais.
- Baleias-piloto, cachalotes e baleias-de-Bryde estão todas registadas ao largo da Madeira, embora qualquer avistamento individual seja uma questão de sorte.
- São animais selvagens em oceano aberto e nenhum operador honesto os promete. As probabilidades aqui são boas, não certas.
Porque há algo para ver
A maioria das costas é rasa. Sai-se de um porto e o fundo do mar inclina-se suavemente durante muitos quilómetros antes de atingir algo que um animal oceânico considere lar. Alcançar águas profundas a partir de tal costa exige um dia inteiro de navegação, não uma tarde.
A Madeira não funciona assim. A ilha é o cume de um vulcão que se ergue da planície abissal, e as suas encostas continuam debaixo de água com praticamente o mesmo ângulo que apresentam acima dela. A pouca distância do porto do Funchal, o fundo do mar já ultrapassa um quilómetro de profundidade. Esse único facto geológico é o que torna uma viagem de três horas a partir de uma marina urbana uma verdadeira excursão de águas profundas, e não um passeio costeiro.
Os golfinhos que tem mais probabilidade de encontrar
Duas espécies fazem a maior parte do trabalho. Os golfinhos-nariz-de-garrafa são os grandes, robustos e familiares, residentes à volta da ilha em grupos que variam entre alguns indivíduos e várias dezenas, e são a espécie com maior probabilidade de se aproximar e surfar a onda de proa. Observá-los a partir das redes de trampolim, a poucos metros de animais que fazem isso deliberadamente por diversão, é a melhor experiência que este barco oferece.
Os golfinhos-comuns são mais pequenos, mais rápidos e viajam em grupos maiores e mais dispersos, com um padrão distinto de ampulheta ao longo do flanco. Tendem a ser mais ativos e menos interessados no barco, passando em grande número. Os golfinhos-pintados-do-Atlântico também são avistados aqui, especialmente na metade mais quente do ano.
Golfinhos a surfar a onda da proa ao lado do catamarã
As baleias, e sendo honesto sobre elas
A lista de espécies da Madeira é genuinamente longa, porque as águas profundas ao largo de uma ilha no meio do Atlântico favorecem animais que mergulham a grande profundidade. As baleias-piloto-de-barbatanas-curtas são as encontradas com mais regularidade e estão frequentemente presentes em grupos sociais estáveis. Os cachalotes são registados aqui e são os mergulhadores profundos clássicos, alimentando-se muito abaixo na coluna de água de lulas. As baleias-de-Bryde passam por aqui, e baleias-de-bico mais raras são vistas ocasionalmente por quem sabe o que está a observar.
Nada disto soma uma promessa. Uma baleia é um animal grande num oceano muito grande que passa a maior parte da vida abaixo da superfície, e uma janela de três horas é estreita. Os comentários desta viagem incluem passageiros que viram tanto baleias como golfinhos, e passageiros que viram apenas golfinhos na mesma rota com um dia de diferença. Reserve pela experiência do dia e trate a baleia como o bónus que ela genuinamente é.
Tartarugas, e o que mais aparece
As tartarugas-comuns são as que poderá ver, geralmente como uma carapaça e uma cabeça à superfície em vez de algo dramático, e os juvenis em particular derivam com as correntes à volta da Madeira como parte de um longo circuito atlântico que pode começar a milhares de quilómetros de distância. Avistar uma é uma questão de alguém olhar na direção certa no momento certo.
Acima da água há aves marinhas, e são mais interessantes do que a maioria das pessoas espera. As cagarras-grandes nidificam na Madeira e nos seus ilhéus em grande número e são as aves que verá com mais frequência, mantendo um voo planado de asas rígidas a centímetros da ondulação. Os seus chamamentos noturnos junto aos penhascos são um dos sons genuinamente estranhos da ilha.
1km+
A profundidade que os fundos marinhos atingem perto da costa sul da Madeira, e que faz com que animais de mar profundo fiquem ao alcance de um passeio de três horas.
Como a tripulação encontra qualquer coisa
Principalmente sabendo para onde ir e depois olhando com muita atenção. A experiência das águas locais é a maior parte do processo: os golfinhos não estão distribuídos aleatoriamente, e as tripulações que trabalham na mesma costa todos os dias desenvolvem um sentido prático de onde os grupos tendem a estar numa determinada época do ano e estado da maré.
Além disso, os operadores à volta do Funchal falam uns com os outros pelo rádio, por isso um avistamento de um barco torna-se rapidamente conhecimento comum. É por isso que às vezes verá vários barcos convergir, e é também por isso que os passageiros ocasionalmente notam que uma estadia com um grupo foi interrompida quando outras embarcações chegaram. Partilhar os animais faz parte da etiqueta.
Observar com responsabilidade
A Madeira regula como os barcos se comportam em torno dos cetáceos, e isso importa para o que a sua viagem realmente parece. Há limites sobre quão perto uma embarcação pode aproximar-se, quantos barcos podem estar com um grupo ao mesmo tempo, quanto tempo podem ficar, e como devem mover-se nas proximidades: sem cortar caminho através de um grupo, sem separar mães de crias, sem mudanças súbitas de velocidade ou direção.
O efeito prático é que uma viagem bem organizada manterá uma distância respeitosa e deixará os animais decidirem. Quando os golfinhos escolhem vir à proa, e fazem-no muitas vezes, é uma decisão deles e não uma perseguição. Vale a pena compreender isto antes de ir, porque um barco que fica para trás está a seguir as regras e não a ser tímido.
O que o mergulho acrescenta
A paragem ancorada sob o Cabo Girao é um tipo diferente de vida selvagem e é fácil de ignorar. A costa rochosa ali abriga a comunidade de águas rasas das ilhas atlânticas: bodiões ornamentados, peixes-papagaio, donzelas em cardumes sobre a rocha, ouriços-do-mar encaixados nas fendas e anémonas à sombra dos salientes.
Nada disto é espetacular como uma baleia, e tudo está ali mesmo onde pode observá-lo durante o tempo que quiser. Para quem gosta de usar uma máscara, meia hora sobre rocha vulcânica clara é uma parte legítima da história natural da viagem, e não uma pausa para nadar atada a um cruzeiro de vida selvagem.
